35th Bienal de São Paulo
6 Set to 10 Dec 2023
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35th Bienal de
São Paulo
6 Set to 10 Dec
2023
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Rosana Paulino

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https://youtu.be/qkjZWZfIHHE

 

Rosana Paulino nasceu em 1967, em São Paulo, Brasil. É artista visual, pesquisadora e educadora. As criações de Rosana Paulino falam sobre problemas sociais, étnicos e de gênero no Brasil, com foco nas mulheres negras. Paulino, que também é uma mulher negra, aborda os diferentes tipos de violência que essa população enfrenta por causa do racismo e das consequências duradouras da escravidão.

Para esta Bienal, a artista apresenta uma série chamada Mangue. É uma série de telas muito grandes. Elas foram feitas com tintas naturais. Predominam tons de amarelo, marrom e verde. As telas retratam mulheres em diferentes situações. Elas estão ao lado de grandes troncos de árvores com as raízes aparentes. Também há raízes no que seriam as pernas das mulheres.

Nesta obra, chamada Caranguejo, três grandes telas de tamanho igual ficam lado a lado, compondo um tríptico. As telas nas laterais retratam dois troncos em cada, com raízes aéreas aparentes e cuja copa não é visível. Os troncos são amarelo-vivo, e suas raízes vão ficando mais esverdeadas, como se tivesse musgo crescendo nelas. O fundo das telas é bege. Na tela central, uma mulher segura um caranguejo em cada uma de suas mãos. No lugar de pernas, ela tem raízes crescendo do chão, como as das árvores ao lado, em que sobem outros caranguejos azuis. Essa mulher também é pintada em amarelo, e ela está com um peito nu e coberta com folhas. Essas folhas também compõem uma máscara que cobre seus olhos. Ela tem cabelo crespo até os ombros, nariz largo e lábios grossos.

No lançamento do segundo movimento da publicação educativa desta Bienal, Rosana Paulino afirmou que “o mangue é um lugar muito importante porque é berçário, é um local de vida e de morte. Tudo começa ali, tudo termina ali”.

O que você acha que Rosana Paulino quer dizer com esse trabalho? Você já parou para pensar que o imaginário brasileiro é atravessado por estereótipos racistas sobre as mulheres negras, como a hipersexualização e o trabalho servil, por exemplo? A quebra desses estereótipos é um aspecto importante para a artista. Como diz Barbara Copque no catálogo desta Bienal, “falamos por e para esse corpo. Paulino tece, desestabiliza e subverte as certezas da colonialidade que nos atravessa”. Você consegue perceber a relação dessas reflexões com a série Mangue?

Para Paulino, as raízes aparentes nas árvores e nas mulheres retratadas nas telas são uma maneira de dizer às mulheres negras que “já não é mais necessário se esconder”, como diz Barbara Copque.

Raízes também nos remetem à ancestralidade. De fato, a artista valoriza muito o pensamento afro-diaspórico e as religiões de base africana e afro-brasileira, que foram herdadas por seus ancestrais. Para os povos afro-diaspóricos, estar no mundo é sempre “ser um pouco as coisas”. No caso das mulheres, isso também se revela na maneira como são constituídas e, ao mesmo tempo, constituem a natureza. Você reparou que nessas pinturas as mulheres, os corpos femininos, também são árvore, mangue, natureza? Como você se sente ao conhecer esta obra?