35th Bienal de São Paulo
6 Set to 10 Dec 2023
Free Admission
A+
A-
35th Bienal de
São Paulo
6 Set to 10 Dec
2023
Menu

Rosa Gauditano

Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese.

https://youtu.be/hN60wc6LSSU

Rosa Gauditano é uma artista paulistana. Ela trabalha com projetos de fotografia, exposições e livros que documentam, sobretudo, populações marginalizadas. Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil, Londres, França, México, Itália, Estados Unidos e China. Atualmente, seus trabalhos fazem parte do acervo de importantes instituições nacionais e internacionais, como o MASP e o Museu Afro Brasil, no Brasil, ou a Fundación Salvador Allende, no Chile, e a Cinemateca de Monterrrey, no México. 

Em 1964, durante a ditadura no Brasil, muitas pessoas foram perseguidas e assassinadas: pessoas negras, a comunidade LGBTQIAP+ e todos que eram considerados “desviantes” ou “subversivos”. Apesar da repressão, essas comunidades criaram movimentos de resistência, mantendo locais de encontro como bares e boates. Em 1979, Rosa Gauditano, trabalhando para a revista Veja, fotografou por meses o Ferro’s Bar e a Boate Dinosaurus, importantes locais de encontro lésbico em São Paulo. Suas fotos retratam a proximidade entre a fotógrafa e as frequentadoras, a intimidade dos casais, os laços afetivos e novas configurações familiares. Embora o ensaio tenha sido censurado, Gauditano não sabia que suas imagens se tornariam tão importantes para o futuro. Essas fotos ajudaram a recriar memórias e inspirar novas experiências. Em 19 de agosto de 1983, o Ferro’s Bar foi palco da primeira manifestação lésbica contra a discriminação. Desde 2008, essa data é reconhecida em São Paulo como o Dia do Orgulho Lésbico. Em 2024, as fotos de Rosa Gauditano continuam a inspirar novas reflexões sobre a luta e a visibilidade lésbica.

Esta itinerância conta com dois conjuntos de fotografias em preto e branco, ambos datados de 1978. A maioria das fotografias tem sessenta centímetros de altura por noventa centímetros de largura. 

Um dos conjuntos é intitulado “Vidas proibidas e Boate Dinosaurus”, e o outro “Vidas proibidas e Ferro’s Bar”. As fotos retratam pessoas da comunidade LGBTQIAP+ nesses dois bares. As fotografias têm um jogo de luz e sombra que confere mistério e sensualidade às situações retratadas. 

Há mulheres realizando performances, na maior parte das vezes nuas ou com o corpo semi-coberto. Também há fotos de mulheres se beijando e se tocando com afeto. Numa delas, por exemplo, há uma mulher com os seios descobertos dançando no centro do bar. O público a observa, curioso. A mulher está altiva, com os braços ao alto, enquanto segura um tecido brilhante com uma das mãos. Noutra foto, duas mulheres se beijam. Uma toca as nádegas da outra, enquanto recebe um carinho no rosto, prestes a ganhar um beijo. 

O público dos bares, em sua maioria mulheres, também aparece nas fotografias. Elas assistem às performances, jogam sinuca e se divertem. São retratos de corpos livres, expressando sua sexualidade também como forma de resistência política.